Xisto: 80% do território canoinhense pode ser explorado por empresa canadense

Suelita palestra na Câmara de Vereadores/Priscila Noernberg/Divulgação

Seminário para discutir exploração do xisto na região aconteceu na manhã desta quarta-feira em Canoinhas

 

 

Seminário ocorrido na manhã desta quarta-feira, 5, na Câmara de Vereadores de Canoinhas, revelou detalhes do projeto de exploração de xisto betuminoso na região. Seminário semelhante aconteceu no mês de março em Papanduva.


 

 

Palestrou Suelita Röcker, agricultora, especialista em Gestão e Tecnologias Ambientais na Indústria e Educação Ambiental. Ela representa a 350.org Brasil e a Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (Coesus), promotoras do evento. O auditório da Câmara ficou lotado.

 

 

 

Segundo Suelita, a exemplo de Papanduva e Três Barras, Canoinhas tem de se preocupar com a iminente exploração do xisto betuminoso existente no subsolo da região. A cidade está dentro do bloco que será leiloado para extração do gás do xisto e do xisto propriamente dito. “Os dois métodos de extração vêm poluir o nosso bem mais precioso que é a água, além do problema econômico que traz para o Município”, afirmou, lembrando que 80% do território canoinhense pode ser explorado pela empresa canadense Forbes & Manhattan, que criou no Brasil a Irati Energia, para proceder a exploração do xisto na região. “A empresa só vem explorar o solo, o que fica para o Município é a destruição”, afirmou, alertando para os riscos que isso trará para a atividade agrícola na região. Ela focou sua palestra justamente nos malefícios da exploração para a qualidade da água, lembrando que a extração pode provocar chuva ácida e tóxica, além de terremotos, que se tornaram comuns nos Estados Unidos desde que o país começou a extrair petróleo de xisto. De acordo com a palestrante, 90% dos fluidos radioativos e cancerígenos gerados pelo fracionamento das rochas em busca do xisto podem permanecer no subsolo. Pode provocar, ainda, esterilidade humana e de animais, além da morte de crianças.

 

Divulgação

 



Ainda de acordo com Suelita, num primeiro momento a exploração pode representar desenvolvimento, mas logo vem a desvalorização imobiliária, além de a produção agrícola nas áreas exploradas ser comprometida e o risco de embargo à exportação.

 

 

 

Suelita explicou que desde o ano passado o governo vem promovendo leilões públicos permanentes para empresas nacionais ou estrangeiras explorarem áreas potencialmente ricas em fósseis que podem ser transformados em petróleo. A Irati, no entanto, existe há pelo menos cinco anos, mas até agora não conseguiu explorar nenhuma região brasileira. “Neste governo (Bolsonaro) piorou, porque ele tá colocando os lotes que nem por leilão público passaram”. É o caso dos lotes de Santa Catarina, exemplificou. A partir de outubro, as petroleiras poderão comprar os blocos apontados agora pelo Governo. Esse afrouxamento das regras do Governo está fazendo com que o projeto da empresa canadense avance, tanto que em Papanduva moradores de áreas rurais relatam visitas inesperadas de supostos técnicos da empresa.

 

 

 

REPERCUSSÃO

Para o secretário do Meio Ambiente de Canoinhas, Hilário Kath, “esse dia (Mundial do Meio Ambiente) é simbólico para discutirmos esse assunto tão importante”.

 

Prefeito Beto Passos (PSD) se declarou contrário ao projeto de exploração de xisto na região. “A nossa água é muito mais valiosa do que petróleo. É a nossa saúde que está em jogo”, declarou.

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