The Sinner tem tramas que te prendem do início ao fim

The Sinner, segunda temporada/Divulgação

Série disponível na Netflix tem no roteiro enxuto seu maior trunfo

 

 

THE SINNER

Com duas temporadas disponíveis na Netflix, The Sinner é uma boa dica de entretenimento para quem procura uma intrigante trama policial que te prende do início ao fim. É do tipo de história que vale a pena maratonar.


 

A primeira temporada está disponível há algum tempo e é a melhor. A segunda estreou há pouco tempo e não fica muito para trás, não.

 

Na primeira temporada, uma dona de casa aparentemente normal vai ao parque com o marido e o filho pequeno. Uma música, vinda de um grupo de jovens, desencadeia uma reação surpreendente. Cora (boa atuação de Jessica Beal) simplesmente levanta e usa a faca com a qual descascava uma fruta para o filho para matar a sangue frio um dos rapazes.

 

Presa, ela simplesmente diz que não sabe porque fez isso. Pior, não se lembra de conhecer a vítima. Começa aí uma intrincada investigação protagonizada pelo detetive Ambrose (Bill Pulmann). Ele parece o único a acreditar que tem muito mais que um simples caso de psicopatia. Seu passado terrível o faz simpatizar com Dora. Sua intuição oferece as pistas que o espectador vai descobrindo (e se surpreendendo) junto com ele.

Já na segunda temporada, um menino é acusado de matar os pais envenenados em um quarto de hotel de beira de estrada. A policial designada para investigar o caso chama Ambrose, famoso por ter desvendado as motivações homicidas de Dora, para ajudá-la. O menino (atuação admirável de Elisha Henig), descobre-se, vivia em uma comunidade alternativa, onde coisas, digamos, estranhas, acontecem.

 

O ponto forte de The Sinner, nas duas temporadas, são os detalhes do roteiro, escritos sob medida para um desfecho sem furos. Entre inúmeras reviravoltas, os personagens provam ter, ao final, estado no mesmo lugar. Dizer mais que isso seria estragar as surpresas. Assistam!

 

 

OSCAR 2019 – DIREÇÃO

Seguindo nossos comentários a respeito dos indicados ao Oscar deste ano, vamos falar hoje sobre a categoria melhor direção. Os concorrentes são ótimos, mas parece ser difícil tirar a estatueta das mãos de Alfonso Cuarón (Roma). É o mais autoral dos cinco indicados e vem arrebatando todos os prêmios da temporada.

Roma é dirigido por Alfonso Cuarón/Divulgação



Yorgos Lanthimos consegue imprimir em A Favorita um estilo que já havia demonstrado em O Lagosta e Dente Canino, os dois indicados ao Oscar de roteiro original e filme estrangeiro, respectivamente. É um diretor muito bem visto pela Academia, assim como Spike Lee, que poderia levar o merecido primeiro Oscar por Infiltrado na Klan. Lee tem carreira festejada pela crítica e seria a chance de corrigir uma injustiça histórica.

 

Correndo bem por fora estão Adam McKay (Vice) e Pawel Pawlikowski (Guerra fria), cuja indicação já é a grande conquista, de momento.

 

 

PECULIARIDADES 

A Netflix, uma plataforma de streaming que até então vem causando milhões de debates no mundo do cinema e em festivais como o de Cannes, recebeu 15 indicações ao todo ao Oscar deste ano; 10 foram para Roma, três para o novo filme dos irmãos Coen A Balada de Buster Scruggs e duas para curta-documentários. Além disso, Hannah Bleacher foi a primeira mulher negra a ser indicada a Melhor direção de arte por Pantera Negra, este que é o primeiro filme de super-herói a estar na lista de Melhor Filme. Mesmo com toda a campanha dos últimos anos, nenhuma diretora foi reconhecida na categoria de Melhor direção, mas, pelo terceiro ano seguido, um diretor negro foi indicado: em 2016 foi Barry Jenkins por Moonlight, em 2017 foi Jordan Peele por Corra! e agora foi a vez de Spike Lee por Infiltrado na Klan.

 

 

RECONHECIMENTO

 

O Oscar 2019 trouxe a primeira indicação ao roteirista Paul Schrader pela sua obra No coração da escuridão, porém há décadas ele merece o reconhecimento da Academia, mais especificamente pelo seu roteiro que agora comemora 43 anos de lançamento: Táxi Driver.

 

Dirigido pelo mestre Scorsese, o filme traz Robert De Niro como um veterano de guerra mentalmente instável que dirige seu táxi por Nova York e despreza a decadência humana em cada esquina, planejando atos de violência como forma de trazer um equilíbrio para o mundo. Desde 1976, essa obra vem levantando debates acerca das imperfeições do mundo, da consciência de que tentamos sempre encontrar nosso lugar e os pecados naturais do ser humano com as dicotomias entre a paz e a brutalidade, o destino e o livre-arbítrio, a quietude e o caos. Vale a pena revisitar esse clássico do cinema nesses tempos conturbados que vivemos.

 

ESTREIA

Chega nesta quinta-feira, 31, ao CineMax Canoinhas, o filme que marca a parceria entre os amigos Paulo Gustavo e Mônica Martelli. Minha Vida em Marte terá sessão de estreia às 21 horas.

 

Fernanda (Monica Martelli) está casada com Tom (Marcos Palmeira), com quem tem uma filha de cinco anos, Joana (Marianna Santos). O casal está em meio ao desgaste causado pelo convívio por muitos anos, o que gera atritos constantes. Quem a ajuda a superar a crise é seu sócio Aníbal (Paulo Gustavo), parceiro inseparável durante a árdua jornada entre salvar o casamento ou pôr fim a ele. Comédia para dar boas risadas.

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