Paulo Machado deve ser mantido no governo Beto Passos

Machado (segundo em sentido horário) durante reunião sobre o trânsito na quarta-feira, 20, no gabinete/Divulgação

Depois de se despedir da população em programa de rádio, secretário deve ser mantido no cargo

 

 

CAI, NÃO CAI

Uma reviravolta no caso da demissão do secretário de Desenvolvimento Econômico de Canoinhas, Paulo Machado. Prefeito Beto Passos (PSD) disse ontem que, a princípio, Machado segue como titular da Secretaria. O que aconteceu nesta semana é um mistério, mas a revelação pela coluna da demissão de Machado enquanto ainda estava sendo costurada, irritou o secretário. O acordado era de que seria divulgado ao público que foi por livre e espontânea vontade que Machado tinha se demitido. Ele garante que não havia acordo nenhum, que a decisão de deixar a Secretaria é dele.


 

 

Na segunda-feira, 18, Machado esteve no programa Fala Cidade, da 98FM, fez um balanço de sua gestão e se despediu da comunidade, afirmando que seguiria ajudando Canoinhas, mas sem ocupar cargo nenhum. Na terça-feira, 19, Beto Passos esteve no mesmo programa, confirmou o desligamento de Machado e, sem citar nomes, disse que havia sido pego de surpresa pela suposta decisão tomada por Machado.

 

 

Na quarta-feira, 20, o jornal Diário do Planalto publicou material produzido pela assessoria de imprensa da prefeitura de Canoinhas mostrando a despedida de Machado. O título era claro: “Paulo Machado deixa a Secretaria de Desenvolvimento Econômico”. O material nem chegou a ser postado no site da prefeitura, como de costume. Se foi, ontem à noite não estava mais lá.

 

 

Ontem, no começo da tarde, no programa Repórter 98, da 98FM, Passos disse que Machado segue no cargo, sem perspectivas de desligamento. O vai e volta da semana não explicou.

 

 

Questionei o próprio Machado sobre a reviravolta e ele disse por meio de mensagem de texto que não me daria entrevista a respeito, “talvez em outro órgão de imprensa”, afirmou.

 

 

CONTRAPONTO

O advogado de Machado mandou correspondência ao JMais contestando as notas publicadas na quinta-feira aqui na coluna. Sobre a suposta suspeita do secretário de que vereadores teriam articulado sua saída, ele afirma que o texto não condiz com nenhuma frase dita na citada entrevista concedida a rádio 98FM. “Novamente o colunista expressa sua opinião sem qualquer fundamentação, tentando atingir o notificante.”

 

Segue dizendo que na data de 21/02/2019 a coluna voltou a publicar outra nota em que não se sabe se trata de opinião pessoal ou notícia.  “Se desconhece qual o problema e qual o motivo o referido colunista tenta agredir/atribuir situações a pessoa do notificante e considerando que a matéria não possui qualquer caráter jornalístico e sim o único objetivo de expressar a opinião pessoal do colunista, requer-se que a matéria seja retirada do site”.

 

 

Machado pede, ainda, a publicação de duas notas contestando a coluna:

  1. “O secretário repudia a afirmação realizada pelo colunista em 19/2/2019 e, por isso, solicitou que a ‘opinião’ fosse retirada do ar, uma vez que somente possui o interesse de causar prejuízo a imagem e as relações pessoais do secretário.”
  2. “O colunista tem reiteradamente feito ataques e emitido opiniões de cunho pessoal sobre o trabalho e a pessoa do secretário municipal Paulo Machado, paira dúvidas acerca da motivação destes comentários, se os mesmos são por livre vontade ou motivados por alguém que deseja o rompimento do secretário com o governo.”

 

 

 

É JORNALISMO, MEU CARO

Dado o devido direito de resposta a Machado, resta lembrá-lo de que jornalismo se faz com apuração de fatos. É o que a coluna se propõe. Machado contesta e está no seu direito, mas o que lhe desagrada é o que a coluna apurou. Deveria portanto se voltar aos desafetos que fez no exercício do cargo e não ao jornalista. Ademais, se meu objetivo fosse só agradar abriria uma empresa de festas infantis e não um site de notícias. Vale sempre a ressalva de que esta coluna é e sempre foi de opinião (Leia “Esta é uma coluna de opinião”), muito embora o que se escreve sobre o secretário e, vejam bem, não sobre a pessoa, mas sim sobre o profissional que presta um serviço público, foi apurado junto a servidores municipais, não saiu da cabeça do colunista.

 

 

Já defendi aqui na coluna o direito de os cidadãos se expressarem nas redes sociais sobre os governos, mas sobre seus correspondentes atos políticos enquanto no exercício dos cargos, não com ataques pessoais como feitos a Beto Passos em páginas do Facebook, como xingamentos e acusações sem provas e até mesmo ameaças de morte.

 

 

Machado confunde as coisas. Não encontro um fiapo de inspiração para falar dele enquanto pessoa, seja bem ou mal, é simplesmente irrelevante para mim e não seria eu um profissional minimamente sério se me desse ao trabalho de fazer notas pessoais sobre a vida de quem quer que seja. Agora, como ocupante de um cargo de primeiro escalão de um governo de uma cidade que por acaso é o principal foco de cobertura do JMais, o que Machado faz ou deixa de fazer no exercício do cargo é sim digno de nota. Quando Machado deixar o cargo, seu sucessor terá o mesmo tratamento.

 

 

Sobre a fala na rádio 98FM envolvendo vereadores, Machado disse que “às vezes o mesmo vereador que pede moralidade, vai lá pressionar o prefeito quando se tenta reaver um terreno de um amigo dele”. A minha interpretação foi de que o secretário mandou um recado aos vereadores de Canoinhas. Se não, então deve estar se referindo aos vereadores de alguma cidade do Usbequistão e não daquela na qual ele trabalha, por acaso, como secretário de Desenvolvimento Econômico. Se for isso, realmente devo desculpas.



 

 

É trabalho jornalístico acompanhar atentamente os movimentos de prefeitos, vices e secretários quando se trabalha em veículos locais ou regionais. Por obterem cargos públicos de primeiro escalão são eles que traduzem um governo na essência. São responsáveis pelas conquistas, mas também pelos fracassos de um governo. Se não houver imprensa séria e ética para mostrar tanto um quanto outro, perde a sociedade e o próprio governo que, muitas vezes ludibriado pela soberba, não consegue enxergar os próprios defeitos.

 

 

 

PRESENÇA

Ontem dois deputados passaram por Canoinhas. Ricardo Alba (PSL), deputado estadual, esteve na cidade à tarde. À noite, no Clube Laffayette, Pedro Uczai (PT), deputado federal, reuniu a militância.

 

 

 

NOVOS CARGOS

Subiu para a Câmara de Vereadores de Canoinhas projeto de lei que cria 12 cargos na esfera da Secretaria de Educação. Os cargos são todos de serventes para trabalhar em sete escolas. A justificativa do Município é de que o número de serventes atual não condiz com a demanda de trabalho.

 

 

BOLSAS

A Câmara aprecia na próxima semana projeto de lei que aumenta para R$ 700 o salário dos estagiários da prefeitura de Canoinhas. Eles trabalham seis horas por dia e têm de provar que estão frequentando curso superior.

 

 

PRIVILÉGIOS

Sobre a coluna de quinta-feira, 21, abordando o silêncio dos deputados e senadores sobre redução de privilégios, o deputado Bruno Souza (PSB) manda nota lembrando que está fazendo a sua parte. O deputado abriu mão do celular oficial, do auxílio moradia, do auxílio combustível, do auxílio Escritório, do auxílio para uso do carro próprio, e da máquina de café. Efetuou ainda a devolução do valor referente ao jantar oficial com governador e recomendou para que os próximos sejam por adesão.

 

 

UNIVERSIDADES

Reitores das universidades comunitárias de Santa Catarina foram recebidos pelo governador Carlos Moisés na Casa D’Agronômica no fim da tarde desta quinta-feira, 21. Entre eles a reitora da Universidade do Contestado (UnC), Solange Sprandel da Silva. Em pauta: desafios da educação e a ampliação de parcerias entre o Governo do Estado e as escolas de ensino superior do sistema Acafe. Em sua explanação, o governador salientou a importância histórica das instituições para o desenvolvimento regional e reforçou a necessidade dos dois lados andarem de mãos dadas.

 

 

Solange destacou a importância do Artigo 170 para mais de mil alunos da UnC e, como contrapartida, a Instituição realiza mais de 5 mil atendimentos ao ano nas áreas de Optometria, Fisioterapia e Psicologia gratuitamente. A possibilidade de parceria para formação e capacitação de professores, outra demanda das instituições, significa a continuidade de programas já existentes, segundo a reitora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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