Oscar acerta na diversidade, mas erra na escolha do filme

Equipe de Green Book comemora Oscar principal/Reprodução

Green Book – o guia não era o melhor filme entre as opções que os membros da Academia tinham, mais um filme para ser facilmente esquecido

 

 

OSCAR NEGRO

Há poucos anos houve uma mobilização que ganhou amplo apoio para que Oscar fosse menos branco. A constatação era de presença mínima de indicados negros ao mais importante prêmio do cinema. A pressão deu certo e neste ano tivemos número expressivo de negros indicados. Dos oito filmes indicados à categoria principal, dois tinham como tema o racismo e outro elenco quase 100 por cento negro.


Cena de Pantera Negra /Divulgação

 

Pantera Negra, um dos maiores blockbusters de 2018 conseguiu a façanha de colocar um filme de super-herói na lista dos melhores da Academia, mas, convenhamos, não tinha fôlego para alcançar o prêmio principal. Se a ideia da Academia era exaltar os negros perdeu uma excelente oportunidade de fazê-lo, além de corrigir uma injustiça. Spike Lee é um dos mais admirados diretores negros estadunidenses e no ano passado entregou um dos mais contundentes e sarcásticos relatos capaz de atingir em cheio os racistas. Infiltrado na Klan usa do humor inteligente (o que assusta os racistas) para fazer uma contundente crítica que mira nos anos 1970 e acerta na América atual de Donald Trump. O desenvolvimento da história flui com leveza pontuado por momentos de reflexão. Agradou tanto que ganhou o Oscar de roteiro adaptado. O filme tem direção inspirada e um elenco afinado, além de ser bem mais profundo que o escolhido Green Book – o guia. O filme do mesmo diretor de Debi e Loide (quem imaginaria?) recebeu ataques dos herdeiros do músico retratado por Mahershala Ali. Eles dizem que há várias mentiras sobre a relação do artista com seu motorista, todas contadas em uma historinha montada sob medida para emocionar. Vários críticos concordam que o filme é raso, mesmo assim a Academia o preferiu.

 

Roma é dirigido por Alfonso Cuarón/Divulgação

Esse foi só o erro menor da Academia. O maior foi negar o Oscar principal para Roma por este pertencer à Netflix, a grande inimiga do cinemão comercial. É compreensível que a Academia queira proteger aqueles que sustentam a máquina que a mantém, mas isso mostra que a despeito das qualidades artísticas, questões políticas e econômicas são muito mais relevantes. Não que isso seja uma novidade. Desde que Shakespeare Apaixonado ganhou o Oscar principal em uma vitória embalada por dinheiro grosso da Miramax já se sabia que a Academia se move por questões um tanto quanto obscuras. Naquele mesmo ano Gwyneth Paltrow desbancou (que sacrilégio!) Fernanda Montenegro levando o Oscar de melhor atriz, uma das maiores vergonhas da Academia. Desde então houve várias coisas esquisitas que hoje podem ser explicadas por looby, política e economia. Uma bela decepção para quem ama o cinema.

 

 

ATUAÇÕES

Cena de Bohemian Rhapsody/Divulgação

Dos prêmios principais, três decepções a meu ver. Rami Malek (Bohemian Rhapsody) se esconde por trás da maquiagem. Mas levou. Já Christian Bale (Vice) consegue ir além da maquiagem, merecia mais.

 



Olivia Colman (A Favorita) é uma grande atriz, mas se beneficia dos exageros da personagem, a rainha Anne. Glenn Close (A Esposa) está de cara limpa em uma interpretação contida, extramente humanizada e terna. Pela sétima vez saiu de mãos abanando da festa. Uma injustiça para entrar nos anais da Academia.

 

Entre os coadjuvantes, Sam Rockwell (Vice) é impagável como Bush filho, mas a Academia preferiu Mahershala Ali (Green Book) ainda na linha do politicamente correto. Já Regina King (Se a Rua Beale Falasse) foi uma bola dentro da Academia.

 

 

 

O TEMPO

Destaque como ponto positivo da festa deste ano a agilidade que se ganhou com a dispensável presença de um anfitrião.

 

 

 

 

 

 

 

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