Justiça aceita denúncia contra nove pessoas por morte de bebê devido a falta de combustível em ambulância

Heloisa Mathias Lisboa faleceu em Joinville após sofrer três paradas cardíacas/Arquivo

Os denunciados terão 10 dias para indicar testemunhas e apresentar defesa

 

O Poder Judiciário de Santa Catarina divulgou nesta quarta-feira, 27, que foi aceita a denúncia contra nove pessoas, entre eles diretores e dois médicos socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por causa da uma criança de um ano que morreu em função da falta de combustível para ambulância em junho de 2017. A decisão é da Vara Criminal de Mafra.

 


 

Os denunciados serão citados e terão 10 dias para apresentar defesa e indicar testemunhas. A Justiça quer identificar o principal responsável por se negar a receber contribuição da família para abastecer a ambulância, que segundo o delegado que atendeu o caso na época, “era coisa de 40 a 50 reais”.

 

 

De acordo com a denúncia, o pai da pequena Heloisa Lisboa de Mafra,  pediu que a ambulância fosse abastecida por terceiros, porém, não foi permitido pelas autoridades do Samu. A Polícia Civil já havia indiciado todos por homicídio culposo, mas de acordo com a Justiça, os nove denunciados vão responder por homicídio qualificado por motivo torpe e omissão.

 



 

RELEMBRE O CASO

A morte da menina Heloisa de um ano revoltou toda a região em 2017. No Boletim de Ocorrência registrado após a morte, representante do órgão justificou que ambulância “não pode ser abastecida por terceiros”. A menina foi internada no Hospital São Vicente de Paula, deMafra, no dia 7 de junho de 2017, com suspeita de pneumonia. No dia seguinte, seu estado se agravou e o médico solicitou sua transferência para o Hospital Infantil de Joinville, o único na região que tem UTI.

 

 

O drama da família começou quando as duas ambulâncias de Mafra não puderam atender ao pedido por “falta de combustível”. Como foi alegado que o Samu “não aceita dinheiro de terceiros”, a família e o hospital de Mafra pediram ajuda para outras cidades. O helicóptero da Polícia Militar de Joinville foi acionado, mas devido ao mau tempo na região não poderia chegar até Mafra. Uma ambulância de Canoinhas, distante 92 km, conseguiu levar a paciente apenas até Rio Negrinho porque não tinha combustível para seguir adiante. Heloisa chegou ao Hospital Infantil 15 horas depois porque uma ambulância de Jaraguá do Sul a levou de Rio Negrinho até Joinville na madrugada do dia seguinte. Ao meio-dia de sábado ela não resistiu.

 

 

Como a investigação está em “segredo de justiça”, os nomes dos denunciados não foram revelados.

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