Canoinhas lança editais de sobreaviso sem incluir especialidade de neurocirurgia

Dr Andrei (E) realiza primeira cirurgia neuroendoscópica do HSCC/Arquivo

Secretária de Saúde, Zenici Dreher, diz que ainda estuda a possibilidade de manter a especialidade médica

 

CORREÇÃO: A DRA RENATA NÃO ATENDE NO SOBREAVISO MÉDICO DESDE 31 DE DEZEMBRO DE 2018

O Município de Canoinhas lançou nesta semana os editais para contratação de especialidades médicas para operar no Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC) no sistema de sobreaviso. Atualmente o HSCC oferece sete especialidades médicas – ortopedia/traumatologia, neurocirurgia, neurologia, pediatria, cirurgia geral, clínica médica e anestesiologia. Isso significa que quando um paciente dá entrada no HSCC com problemas em alguma dessas especialidades, não importando a hora, o médico de sobreaviso deve ser chamado. Cada especialidade custa R$ 31 mil mensais aos cofres do Município. Quem faz os pagamentos, a partir do repasse feito pela Secretaria Municipal de Saúde, é o HSCC.


 

 

Depois que o Ministério Público apontou irregularidades no modelo de contratação, considerando que não houve processo licitatório vencido pelo HSCC, o Município abriu licitação nesta semana, excluindo a especialidade em neorocirurgia. “Se o paciente tiver algum trauma na cabeça e coluna, ele entra no HSCC com o diagnóstico feito pelo especialista em neurologia, mas a cirurgia tem de ser feita em Mafra, que passará a ser a referência”, explica um dos dois especialistas em neurocirurgia que trabalha hoje no sobreaviso, Dr. Andrei de Morais. Ele ficou preocupado ao ver que não há edital para a especialidade. “Isso me faz ter de optar por outra cidade para exercer minha profissão, mas não quero que a população pense que essa é uma decisão minha, mas sim da prefeitura”, diz afirmando que já começou a distribuir currículos.

 

 

Andrei lembra do caso do filho do empresário Norberto Fuck, Caio Fuck, que só foi salvo porque o HSCC tinha a especialidade de neurocirurgia. Lembra também da morte de Marciano Spack, pisoteado na cabeça por um cavalo e que morreu depois de passar um fim de semana esperando por uma transferência para Jaraguá do Sul. À época não existia a especialidade no HSCC. “Infelizmente vão ter de esperar acontecer algo grave, como o paciente morrer no deslocamento a Mafra, para dar importância à especialidade”, lamenta.

 

 

Andrei conta que quando ele veio para Canoinhas, o  então deputado estadual Antonio Aguiar (PSD) conseguiu R$ 800 mil em equipamentos para que ele pudesse operar. “São equipamentos que ficarão ociosos sem a especialidade”, lamenta.

 

 

Andrei também é o responsável por implementar no HSCC uma Comissão Hospitalar de Transplante (CHT).

 

 

O médico admite que as duas especialidades representam alto custo para o Município, mas ele mesmo se propôs a reduzir o valor em nome da manutenção das especialidades. Outra sugestão seria o rateio entre os Municípios da região, o que não acontece desde que Três Barras, Bela Vista do Toldo em Major Vieira optaram por contratar os serviços do Hospital São Vicente, de Mafra. “Dessa forma reduziria os custos para Canoinhas, que hoje arca sozinho com as despesas”, pondera.



 

 

CONTRAPONTO

A secretária de Saúde de Canoinhas, Zenici Dreher, afirma que o fato de as outras seis licitações terem sido lançadas e a de neurocirurgia não, não significa que ela não será contratada. “Estamos analisando ainda, mas a princípio vamos lançar neurologia por ser de média complexidade, que atende ao porte do HSCC. Também melhoramos o valor/hora de obstetrícia, que é super essencial”, afirma.

 

 

Zenici diz que por mais importante que seja a especialidade de neurocirurgia, hoje o HSCC não está credenciado pelo Ministério da Saúde para a especialidade, que é de alta complexidade, ao contrário de neurologia, de média complexidade. A referência em neurocirurgia para Canoinhas é o Hospital São Vicente, de Mafra.

 

 

Até o fim do ano passado havia dois médicos (dr Andrei e dra Renata) nas escalas de neurocirurgia e neurologia, cada dia um estava de plantão em uma das especialidades, o que não poderia ocorrer, segundo apontou o Ministério Público em inquérito aberto para apurar o sobreaviso médico a partir de denúncias feitas em setembro do ano passado. As denúncias, no entanto, não tem nada a ver com as duas especialidades.

 

 

A secretária diz que não há nada definitivo a respeito e que como a partir de agora o Município será o responsável direto pelas contratações dos sobreavisos há uma grande preocupação em fazê-las todas dentro do que permite a legislação. “Creio que tenhamos novidades até metade de março”, afirma.

 

Até 31 de março seguem em vigor os contratos de sobreaviso médico com o HSCC.

 

 

 

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