Autoridades da Saúde alertam Estados e municípios para baixo índice de vacinação

Rodrigo Melo/Divulgação

Dados preliminares de 2018 apontam que, dos 5.570 municípios do país, 2.751 (49%) não atingiram a meta de cobertura vacinal de sarampo, que é igual ou menor a 95%

 

O Ministério da Saúde (MS) propôs nesta quinta-feira, 14, durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília, um novo pacto sobre vacinação com estados e municípios. A baixa cobertura vacinal motivou essa decisão.

 


 

A preocupação do Governo Federal com a necessidade de ampliar a imunização contra doenças que já haviam sido eliminadas ou erradicadas, mas que voltaram a circular no país como o sarampo, levou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a propor o pacto.

 

 

Dados preliminares de 2018 apontam que, dos 5.570 municípios do país, 2.751 (49%) não atingiram a meta de cobertura vacinal de sarampo, que é igual ou menor a 95%. Nos estados do Amazonas, Roraima e Pará a situação é mais crítica pelo fato de existir a transmissão ativa do vírus, ou seja, casos confirmados recentes.

 

 

A proposta foi apresentada aos representantes das secretarias estaduais e municipais de saúde. O secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, participou do evento, que foi a primeira assembleia ordinária da CIT em 2019.

 

 

O CIT é um fórum que reúne os representantes dos três entes da federação: União, representada pelo Ministério da Saúde, estados, representados pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais da Saúde (Conass) e municípios, cuja representação cabe ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

 

 

A cobertura vacinal dominou o tema da reunião nesta quinta-feira. De acordo com o secretário Helton, o colegiado tem como premissa “trazer a discussão temas que sejam de interesse da política pública de saúde, na busca de entendimento de ações que possam ser pactuadas afim de tornar a saúde pública eficiente e resolutiva”.

 

 

A exemplo de quase todo o país, os números de vacinação em Santa Catarina também estão abaixo do recomendado. De acordo com os números da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) a cobertura da vacinação de sarampo é de 85,1% e a de poliomelite 83,71%. No caso da febre amarela, doença em que o MS alerta para possível surto no Sudeste e Sul, a cobertura chega apenas aos 51%.

 

 

“Nós vamos ter que refazer o pacto sobre vacina nesse país. O índice de vacinação está perigosamente baixo. Enquanto todos os estados não estiverem com níveis elevados de vacinação os caminhos estarão abertos para a disseminação do vírus”, alertou o ministro Mandetta.

 

 

A vacinação é a forma mais eficaz e segura para prevenção de doenças como o sarampo. Em 2018, o Brasil enfrentou um grande surto de sarampo, envolvendo 11 estados, com 10.302 casos confirmados, sendo 90% dos casos concentrado no estado do Amazonas.

 

 

O ministro da Saúde reforçou a preocupação em relação à perda do certificado de eliminação de sarampo, concedida ao Brasil pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS) em 2016, e a necessidade de fortalecer ações conjuntas para interromper a transmissão dos surtos e impedir que se estabeleça a transmissão sustentada (por 12 meses consecutivos) e, desta forma, manter a sustentabilidade da eliminação do vírus do sarampo no país.

 

 

RECOMENDAÇÕES



O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente duas vacinas que protegem contra o sarampo: a tetra viral que protege, além do sarampo, contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos 15 meses, e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15 meses.

 

 

Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério da Saúde tem orientado os gestores locais que organizem suas redes, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. Outra orientação é o reforço das parcerias com as creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolver também o núcleo familiar. Outro alerta constante é para que estados e municípios mantenham os sistemas de informação devidamente atualizados.

 

 

O Ministério da Saúde ainda reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos, em especial as crianças menores de cinco anos, que devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina.

 

 

FEBRE AMARELA

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que cerca de 36,9 milhões de pessoas no Sudeste e 13,1 milhões no Sul do país ainda não se vacinaram contra a febre amarela.

 

“Apesar de os estados do Sul e Sudeste já fazerem parte da área de recomendação para a vacina, todos os estados ainda registram coberturas abaixo da meta 95%”, informou a pasta.

 

Em nota, o ministério destacou que quem não mora no Sul, mas vai viajar para esta região, ou para o Sudeste, também deve ser imunizado contra a febre amarela. Nesse caso, a orientação é tomar a dose pelo menos 10 dias antes da viagem. O reforço na recomendação se dá porque, atualmente, há registro da circulação do vírus nessas regiões.

 

A dose contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional de Vacinação e distribuída mensalmente a todos os estados. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema de dose única da vacina, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), respaldada por estudos que asseguram que uma dose é suficiente para a proteção por toda a vida.

 

 

O público-alvo são pessoas de 9 meses a 59 anos de idade que nunca tenham se vacinado ou que não dispõem do comprovante de vacinação. Atualmente, fazem parte da área de recomendação todos os estados do Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, além do Maranhão, alguns municípios da Bahia, do Piauí e de Alagoas.

 

 

Dados do Ministério da Saúde mostram que, de julho de 2018 a 7 de fevereiro deste ano, foram notificados 834 casos suspeitos de febre amarela, sendo que 679 foram descartados, 118 permanecem em investigação e 37 foram confirmados. Destes, nove foram óbitos.

 

 

Apresentaram casos confirmados os estados de São Paulo (35) e do Paraná (2). A maior parte dos casos ocorreu na região do Vale do Ribeira (litoral sul de São Paulo, perto da divisa com o Paraná). Todos os óbitos ocorreram no estado de São Paulo, nos municípios de Caraguatatuba (1), Iporanga (2), Eldorado (3), Jacupiranga (1) e Sete Barras (1). O local provável de infecção de um dos óbitos permanece em investigação.

 

 

Com pelo menos 36 casos de febre amarela confirmados em humanos no período entre dezembro de 2018 e janeiro deste ano, o Brasil poderia estar vivendo uma terceira onda de surto da doença. O alerta foi divulgado nesta semana pela OMS.

 

 

“Embora seja muito cedo para determinar se este ano apresentará os altos números de casos em humanos observados ao longo dos dois últimos grandes picos sazonais [o primeiro entre 2016 e 2017 e o segundo entre 2017 e 2018], há indicações de que a transmissão do vírus continua a se espalhar em direção ao sul e em áreas com baixa imunidade populacional”, destacou a entidade.

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