Acadêmicos protestam contra intimidação a jornalistas


Ede com a esposa no aniversário de uma sobrinha/Arquivo da família

Juízes e promotores entraram com ações individuais de dano moral                                  

 

Acadêmicos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv) fizeram um manifesto no pátio da instituição na noite desta terça-feira, 28. Eles protestaram contra a intimidação de cinco jornalistas do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, responsáveis por uma série de reportagens que revelou salários acima do teto pagos a juízes do Paraná.

Juízes e promotores que se sentiram prejudicados pelas reportagens, entraram com ações individuais de dano moral. As ações movidas contra os jornalistas já somam 48 processos, em dezenas de cidades pelo Paraná.

Cinco das ações, quase todas idênticas, foram iniciadas após a repercussão do caso, no início de junho. Outras sete já haviam sido ajuizadas, mas foram notificadas posteriormente. Os autores afirmam que sua remuneração está dentro da lei, e que estão exercendo seu direito de ação ao buscarem reparação na Justiça.

A “Gazeta do Povo” considera o caso uma “ação coordenada”, e diversas entidades de imprensa classificaram o episódio como um ataque à liberdade de imprensa. As indenizações pedidas somam R$ 1,5 milhão.

Os cinco repórteres que trabalharam na história são obrigados a comparecer pessoalmente às audiências, sob pena de responderem à revelia. Com o número crescente de processos, algumas audiências têm sido marcadas no mesmo horário, em cidades diferentes.

Para o coordenador do curso de Jornalismo, Edinei Wassoaski, o manifesto mostra o quanto os acadêmicos estão antenados quanto às injustiças que rondam a profissão. “Isso é importante, porque hoje são os jornalistas da Gazeta do Povo que estão sendo intimidados por simplesmente fazerem seu trabalho do modo como ensinamos. Amanhã poderão ser nossos acadêmicos”, opina.

Para a professora dos cursos de Comunicação Social da Uniuv, Angela Farah, “a tomada de consciência sobre a profissão, sua importância e relevância para a formação de uma sociedade democrática e plural, vislumbrada na atitude de se manifestar e tornar pública sua indignação diante do que está acontecendo com os jornalistas da Gazeta do Povo é fundamental para uma formação completa e profunda na área em que escolheram. Lutar pela liberdade de imprensa é uma atitude cidadã.”





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